MADAME SATÃ
Boemia andrógina do submundo
carioca
Depois de
"Cidade de Deus", "Madame
Satã" é o próximo grande sucesso do
cinema brasileiro
Andye Iore
Depois do surpreendente (e
merecido) sucesso nos cinemas brasileiros de
"Cidade de Deus", outro filme
apresentando personagens do submundo carioca leva
um ótimo público aos cinemas do país.
Paralelo às boas
expectativas do filme de Fernando Meirelles no
Oscar, "Madame Satã" roda o circuito
brasileiro depois de ser aplaudido na 55ª
edição do festival de Cannes, na França, em
maio desse ano e de escandalizar a 26ª Mostra BR
de Cinema de São Paulo em outubro.
Sem contar que já
rodou o mundo, sendo exibido no Festival de
Paris, em Israel, Canadá, Alemanha, Espanha,
Egito entre outros países que aclamaram a
produção.
A sensação após
a sessão de "Madame Satã" é de que
você passou por uma experiência intensa e
provocante. O filme do cearense Karim Ainouz é
baseado em fatos reais, centrado na figura
folclórica de João Francisco dos Santos
(1900-1976).
BOÊMIO
O filme é passado
em 1932, pouco antes de João ser preso por
assassinato e passar dez anos na cadeia, no
presídio de Ilha Grande.
Negro de porte
físico privilegiado, temperamento instável e
sabedoria popular desperdiçada num
"muquifo" na Lapa carioca, João foi
considerado escória da sociedade pela polícia.
Que, aliás, sofreu muito pelas mãos e pés do
malandro.
Porém, o rapaz
era um sonhador boêmio que desejava fazer o bem
às pessoas próximas, mas seu
"demônio" interior assumia boa parte
de sua personalidade.
SEXO
Ao mesmo tempo em
que era um submisso assistente de uma cantora de
cabaré, cuidava de crianças órfãs e protegia
gays e prostitutas de clientes agressivos, João
também criava caso por nada, agia como cafetão
explorador, usava drogas e se entregava ao sexo
casual para roubar seus amantes.
É justamente o
sexo que têm um papel importante no filme
"Madame Satã". As relações de João
são viscerais. A câmera dá closes em partes
dos corpos, bocas se beijando ocupam a tela toda
e braços e pernas masculinos se entrelaçam
selvagemente.
Além das
insinuantes e provocantes cenas de sexo, o filme
ganha quando o personagem realiza seu sonho de
ser uma estrela performática.
CARNAVAL
Mesmo que seja no
palco de um boteco de pinguços, o nascimento de
Madame Satã nome inspirado num filme de
Cecil B. de Mille, assistido por João
traz alegria e muito ritmo ao filme para
contrastar com a pobreza do lugar em que vivem os
personagens.
Depois de fugir da
polícia várias vezes e ir preso, João saiu da
cadeia para a glória. Depois de tanta
injustiça, Madame Satã venceu vários concursos
de carnaval. Independente da história e da boa
produção de "Madame Satã", só o
desempenho impressionante de Lázaro Ramos vale o
filme.
O ator revelação
também se destacou na recente mini-série
televisiva "Pastores da Noite", que a
Rede Globo adaptou do romance homônimo de Jorge
Amado.
E, com certeza,
ainda recebendo rasgados elogios por "Madame
Satã", Lázaro Ramos fará parte de outra
badalação do cinema nacional ano que vem com o
filme "Carandiru", de Hector Babenco,
baseado no livro de Dráuzio Varella e agendado
para estrear em março de 2003.
Já
assisitiu a esse filme? Quer dar sua opinião?
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ENTREVISTA
Karin
Ainouz fala com exclusividade ao SUPERS
CINEMA
Karin
Ainouz faz uma análise do cinema brasileiro na
última década
SERVIÇO
"Madame
Satã"
Brasil, 2002
Gênero: drama
Duração: 1h45
Direção e roteiro: Karin Ainouz
Elenco: Lazaro Ramos, Marcelia Cartaxo, Renata
Sorrah, Ricardo Blat, Flavio Bauraqui
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