OPINIÃO
Alguém realmente gostou de
Cavaleiro das Trevas 2?
Por André Luiz
Pavesi
Se você já está
lendo este artigo, sabe do que estou falando; a
mini-série "Cavaleiro das Trevas"
original marcou época, mudou o estilo dos
Quadrinhos produzidos nos anos 80 e abriu espaço
para o ressurgimento do morcegão. Como se não
bastasse, ao lado de "Watchmen", tornou
"cool" ler Quadrinhos.
Naturalmente,
quando a DC Comics anunciou quinze anos depois
uma continuação à tão aclamada obra, muita
expectativa foi gerada; quando começaram as
divulgações de rascunhos, sketchbooks e
possíveis versões do roteiro, o burburinho
aumentou ainda mais, enquanto Frank Miller e Lynn
Varley trabalhavam na nova mini-série.
Muitos, e eu me
incluo neste grupo, nunca tiveram a ilusão de
que CdT2 teria a metade da força do original,
até pela evolução do trabalho de Miller ao
longo dos últimos anos. E convenhamos que após
"Robocop 2" ele nunca mais foi o mesmo.
Mas de qualquer forma era esperada uma obra que
se destacasse dentre os seus contemporâneos.
Desta vez, em
atitude praticamente inédita da Editora Abril,
as edições saíram quase que simultaneamente
com os EUA. Ao ler a primeira edição já era
perceptível que havia algo estranho, como se
faltasse ritmo à leitura.
Alguns conceitos
muito bons foram apresentados, como p.e. o Flash
trabalhando como um dínamo vivo, ou o Átomo
vivendo preso numa realidade subatômica, ou a
família alienígena de Hal Jordan, mas ficou no
ar a impressão de uma certa preguiça, como se
os prazos fossem muito curtos ou o ego
muito grande para desenvolver melhor as
idéias que surgiram. Podemos tomar como exemplo
as divergências internas da
"Bat-equipe", polarizadas entre o
quase-fascista Questão e o ultra-anárquico
Arqueiro Verde. Foi quase como se o foco
estivesse deslocado, como se na tentativa de
contar uma "grande saga" os pequenos
detalhes acabassem ficando irrelevantes.
Ficou também a
impressão de que Miller se sentiu na obrigação
de desfilar o maior número possível de
citações à personagens DC, sendo que muitos
entraram com papéis repetitivos, outros
estereotipados. Sem falar no papel final de Dick
Grayson, que ficou cheirando a simples e pura
birra do personagem, como se FM tivesse algum
tipo de raiva vingativa em relação ao papel do
menino-prodígio dentro do mito Batman.
Outro aspecto que
também ficou com um jeito meio desleixado foi a
arte, como se faltasse consistência e
mais uma vez ritmo. É claro que se
falando de arte sempre podemos achar que era
"estilo " ou
"experimentalismo", mas ainda
analisando por este aspecto resta a impressão
que faltou algo.
Seja lá como for,
CdT2 também marcou época, assim como a
original, mas em um aspecto negativo: fica uma
certo gosto amargo na boca, como se o público
leitor houvesse sido deixado de lado, em troca de
alguns punhados de lustres extras no ego
gigantesco de Miller, bem como de uma injeção
substancial de aham liberdade
artística em sua conta bancária.
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Trevas 2"
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